segunda-feira, 15 de março de 2010

Una dona chamada Biba

Meus primeiros passos como gerente de restaurantes foram dados em uma excelente pizzaria italiana chamada Piola que se instalou na década de 90 na Rua Bela Cintra, nos Jardins, área nobre próxima ao centro de São Paulo. O dono da marca um italiano chamado Stefano se debatia com um numero enorme de sócios a cada reunião. Falando uma mistura de inglês, italiano, espanhol e português era no mínimo curioso assistir as reuniões que sempre acabavam em discussão principalmente com o Carlo, gerente que também era italiano e que estava de saída da empresa e eu ficaria em seu lugar.
Como todo mundo sabe Italiano gesticula muito, fala muito alto alem de dizer muitos palavrões.
Em uma destas reuniões Stefano colocou em pauta a contratação de uma nova recepcionista, o nome dela: Biba.
Biba era uma cantora de jazz e blues talentosíssima, com uma voz belíssima de arrepiar e que se apresentava de vez em quando na casa, era uma mulher de seus 27 anos, negra, alegre, muito simpática, mas, um tanto gordinha (fui carinhoso, pois gosto muito dela).
Quando Stefano colocou o nome da Biba em pauta o gerente italiano se pôs a gritar e gesticular dizendo:
Má quê? A Biba no! No pode a Biba! Na recepiçon no pode por á Biba!
E Stefano rebatia: Porque no? Biba é uma negra linda, simpática, cheia de vida, sorridente...
E o gerente começou apelar: A Biba é fea! É gorda, vai intupi a recepçon, niguem vai passa!
E Stefano me sai com esta: Fea? Feo é você, magrelo com essa perna fina, essa cara ridícula, esses cabelos feo.
E Carlo: Io sono feo má no sono recepcionista, cátso!.
Imagine mais de dez pessoas em uma sala de reunião em total silencio e os dois italianos se digladiando.
E ai o Stefano me sai com essa pérola: Feo? Feo? Tu no sono feo, é horrorosso!
E continuou: Mira Carlo, se tu fosse una dona e Biba fosse um uomo, io chupava as coisa da Biba má não chupava as sua!
Ai não deu! Eu quase caio da cadeira de tanto rir e os sócios foram levantando e saindo rachando o bico.
Foi hilário, no final Stefano acertou com todos menos com Carlo que Biba ficaria de recepcionista, mas o mais curioso é que ninguém perguntou a ela se a mesma poderia ficar na recepção e claro não pode! Ela fazia shows quase todas as noites em outras casas noturnas.
Com o tempo Biba aparecia menos por lá e assim fomos perdendo o contato, depois de alguns anos levei minha filha para assistir uma peça infantil, era um musical sobre o sitio do pica-pau amarelo no teatro Imprensa e lá estava ela como tia Anastácia, cantando e representando. Gostaria de ouvi-la cantando e representando novamente, com tantos atores ruins e cantores medíocres vê-la fazendo sucesso seria muito bom!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Porque Buckaroo banzai?

Tenho quase 50 anos e passei por muitas mudanças tecnológicas, vi a primeira TV na casa de meu bisavô, ganhei o primeiro tele jogo da Philco Ford, aquele que tinha apenas pontinhos que se mexiam, vi a chegada das TV´s coloridas, do atari, dos computadores pessoais de 16 bits de memória e muitas outras engenhocas.
Mas lembro de uma engenhoca que mexeu tanto com as pessoas quanto os computadores mexem hoje, foram os vídeos cassetes. Foi uma febre, meus amigos alugavam por final de semana de 20 a 30 filmes, começavam assistir na sexta a noite e terminavam na segunda de madrugada quase na hora de ir trabalhar. Assistia-se de tudo, de clássicos religiosos à pornos dos mais safados. Meu irmão que morava em Itú não ficou atrás quando íamos a sua casa eram sessões intermináveis de filmes, afinal depois que vc conhece o semáforo e o orelhão gigantes que ficam no centro da cidade não há mais nada o que fazer em Itú.
Numa dessas viagens a casa de meu irmão me deparei com um filme curioso, chamava-se Buckaroo Banzai contra os seres da oitava dimensão, acho que era esse o nome não me lembro bem. Era um filme de aventura onde o protagonista tinha várias aptidões: cientista, agente secreto, médico cirurgião, cantor de rock, piloto de corrida e inventor.
Já era ridículo se não fosse trágico quando então enfrenta seres da oitava dimensão, resolvemos mudar o filme antes que quebrássemos o vídeo cassete na parede.
Este filme de tão ruim acabou ficando na minha cabeça até hoje, o problema é que comecei a comparar minha a vida a vida do protagonista.
Fui tantos personagens em minha vida, tomei tantas formas que o heroi do filme ficaria com inveja. Fui empresário, desenhista de quadrinhos, desenhista mecânico, traçador de caldeiraria, ajustador mecânico, ferramenteiro, mecânico de autos, montador de equipamentos, gerente de restaurantes, professor de batenders, barista, garçom, vendedor de queijos, artesão, pintor, palestrante em faculdades e em eventos gastronómicos, gerente de pousadas, Guia turístico, pizzaiolo, cozinheiro, contador de piadas e causos, figurante, etc e etc...
Ficaria horas aqui falando o que já fiz na minha vida, infelizmente com tantas aptidões não enriqueci mas também nunca fiquei desempregado. Acredito que no Brasil haja milhões de Buckaroo banzais enfrentando seres da oitava, nona ou décimas dimensões que fazem da vida gente um pouco mais difícil, da-lhe gente medíocre louca para te puxar o tapete, alias nunca vi tanta gente esquisita nesta terra. Então é isso ai em homenagem a todos os Bockaroo banzais deste mundão fiz esse blog para contar minhas melhores histórias.
Entre e fique a vontade