Meus primeiros passos como gerente de restaurantes foram dados em uma excelente pizzaria italiana chamada Piola que se instalou na década de 90 na Rua Bela Cintra, nos Jardins, área nobre próxima ao centro de São Paulo. O dono da marca um italiano chamado Stefano se debatia com um numero enorme de sócios a cada reunião. Falando uma mistura de inglês, italiano, espanhol e português era no mínimo curioso assistir as reuniões que sempre acabavam em discussão principalmente com o Carlo, gerente que também era italiano e que estava de saída da empresa e eu ficaria em seu lugar.
Como todo mundo sabe Italiano gesticula muito, fala muito alto alem de dizer muitos palavrões.
Em uma destas reuniões Stefano colocou em pauta a contratação de uma nova recepcionista, o nome dela: Biba.
Biba era uma cantora de jazz e blues talentosíssima, com uma voz belíssima de arrepiar e que se apresentava de vez em quando na casa, era uma mulher de seus 27 anos, negra, alegre, muito simpática, mas, um tanto gordinha (fui carinhoso, pois gosto muito dela).
Quando Stefano colocou o nome da Biba em pauta o gerente italiano se pôs a gritar e gesticular dizendo:
Má quê? A Biba no! No pode a Biba! Na recepiçon no pode por á Biba!
E Stefano rebatia: Porque no? Biba é uma negra linda, simpática, cheia de vida, sorridente...
E o gerente começou apelar: A Biba é fea! É gorda, vai intupi a recepçon, niguem vai passa!
E Stefano me sai com esta: Fea? Feo é você, magrelo com essa perna fina, essa cara ridícula, esses cabelos feo.
E Carlo: Io sono feo má no sono recepcionista, cátso!.
Imagine mais de dez pessoas em uma sala de reunião em total silencio e os dois italianos se digladiando.
E ai o Stefano me sai com essa pérola: Feo? Feo? Tu no sono feo, é horrorosso!
E continuou: Mira Carlo, se tu fosse una dona e Biba fosse um uomo, io chupava as coisa da Biba má não chupava as sua!
Ai não deu! Eu quase caio da cadeira de tanto rir e os sócios foram levantando e saindo rachando o bico.
Foi hilário, no final Stefano acertou com todos menos com Carlo que Biba ficaria de recepcionista, mas o mais curioso é que ninguém perguntou a ela se a mesma poderia ficar na recepção e claro não pode! Ela fazia shows quase todas as noites em outras casas noturnas.
Com o tempo Biba aparecia menos por lá e assim fomos perdendo o contato, depois de alguns anos levei minha filha para assistir uma peça infantil, era um musical sobre o sitio do pica-pau amarelo no teatro Imprensa e lá estava ela como tia Anastácia, cantando e representando. Gostaria de ouvi-la cantando e representando novamente, com tantos atores ruins e cantores medíocres vê-la fazendo sucesso seria muito bom!
segunda-feira, 15 de março de 2010
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